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Donald Trump, o tiozão de whatsapp mais poderoso do mundo

Todos temos aquele parente, que pode ser um tio, reacionário que fica repassando aos familiares todo conteúdo sensacionalista que recebe. Pouco importa se não parece crível. O importante é espalhar avisos chamativos e supostas notícias apocalípticas para o maior número de pessoas. Melhor ainda se for contra Lula, o PT, os homossexuais que querem implantar a “ditadura gay” ou a esquerda em geral.

Apesar de irritante, esse parente pouco faz de ruim além de propagar conteúdo preconceituoso e quase sempre falso para seu círculo familiar. O problema é quando alguém com esse tipo de comportamento chega ao cargo mais poderoso do mundo: o de presidente dos Estados Unidos. Donald Trump é o tiozão de Whatsapp que comanda a maior nação do planeta.

Nesta semana, Trump compartilhou em seu perfil do Twitter vídeos de muçulmanos fazendo coisas bem condenáveis. Em um deles, um jovem dessa religião agride um rapaz de muletas. O que tem de errado nisso, além do fato de alguém em sua posição se dar a esse tipo de intriga mesquinha, é que se trata de uma informação falsa. Os dois jovens são holandeses e o agressor foi preso. Nada indica que ele seja muçulmano e essa informação foi colada ao vídeo muito provavelmente com a intenção de condenar um grupo gigantesco de pessoas pelo ato de alguém que supostamente tem algo em comum com eles.

É curioso, e até irônico, que o próprio Trump seja o criador do termo “fake news”, o qual usou para atacar a CNN dias antes de assumir a presidência norte-americana. Depois disso, a expressão passou a ser usada por seus seguidores que criticavam a imprensa tradicional e até por seus inimigos. Só que o próprio Trump se aproveitou de notícias falsas, especialmente aquelas espalhadas por sites russos, para difamar sua adversária na eleição, Hillary Clinton. O homem que ocupa a Casa Branca é, na verdade, uma cria das fake news que coloca na conta dos adversários.

O preocupante é que, para os admiradores de Trump, a verdade factual e a cobertura da imprensa pouco importam. Numa época em que vemos grupos defendendo que a Terra é plana, todas as vozes discordantes são encaradas como essencialmente mentirosas e interessadas apenas na difamação. Não é à toa que o Dicionário de Oxford elegeu “pós-verdade” como palavra do ano de 2016 e a dedicou, justamente, a Trump. Para 2017, o dicionário Collins, também britânico, escolheu “fake news” para este posto. Sinais dos tempos em que vivemos.

Perfil do Autor

Luiz Vendramin Andreassa
Luiz Vendramin Andreassa

Jornalista e pós-graduando em Ciência Política, adora entender o mundo e o que faz as coisas serem como são. Tem o sonho de que o conforto material e o acesso ao conhecimento deixem de ser privilégios.


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