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Homeopatia, uma farsa perigosa

Imagem: pixabay.com

Antes de adentrarmos ao texto principal, penso ser necessário derrubar algumas falácias que impedem a utilização do pensamento lógico. Tenho reparado com certa frequência que sentenças, como “Quem crítica a homeopatia é financiado pela indústria farmacêutica”, estão sempre presentes em debates que envolvem esta ou outras medicinas alternativas; em virtude disso, começaremos derrubando esse obstáculo. Ao emitir tal sentença o interlocutor utiliza um “atributo” retórico que é uma variação do argumentum ad hominem. Esse atributo é intitulado de falácia do “envenenamento do poço”. Dessa forma, quem o emite não precisa se dar o trabalho de responder os argumentos do adversário; ao indicar que o poço está envenenado, está dizendo que tudo que sai da boca do adversário é manipulado para defender os interesses de outrem.

Se o nosso objetivo é construir um pensamento lógico em busca de uma verdade objetiva, pouco nos importa se quem apresenta o argumento é um(a) milionário(a) da indústria farmacêutica ou um(a) humilde vendedor(a) de homeopatia.
Se um argumento é equivocado, o nosso objetivo é apontar o erro do argumento, e não atacar os possíveis interesses escusos do mensageiro.

Outro ponto que causa muita confusão é que muitos defensores da homeopatia desconhecem seus suportes teóricos, e por isso confundem homeopatia com fitoterapia e plantas medicinais. O nosso foco aqui é a homeopatia, e para não nos perdemos vamos a uma breve história da homeopatia.

Introdução ao pensamento homeopático.
A homeopatia foi desenvolvida por Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755 -1843) e sua estrutura teórica tem pelo menos duas características muito relevantes.
1ª Característica: Similia Similibus Curentur (semelhante pode curar semelhante) [1] essa ideia faz parte dos 3 princípios defendidos pelo filósofo e pai da medicina Hipócrates (460-377 AC), e teoricamente deveria funcionar da seguinte forma:

Premissa 1: Marcos tem sintomas de vômito.
Premissa 2: Arsênico é capaz de causar vômito em pessoas saudáveis.
Conclusão: Se aplicarmos arsênico em doses homeopáticas em Marcos, ele será curado.

(P1) Semelhante + (P2) de forma igual = (C) Curas

Essa ideia é obsoleta e não dispõem de evidências que comprovem sua validade, a única sustentação que ela utiliza é a autoridade de quem disse, nesse caso “o pai da medicina Hipócrates”, mas não se faz ciência se apoiando na autoridade de alguém e sim em evidências.

2ª Característica: A homeopatia carrega a ideia de diluição e de dinamização:

Como algumas plantas e substâncias eram tóxicas, algumas vezes ocorrem efeitos adversos importantes. Hahnemann decidiu, pois, diluir os medicamentos ao máximo, de maneira que sua toxicidade fosse diminuída. Com os resultados promissores da nova terapêutica, decidiu voltar a clinicar, em definitivo. Conta a história que nessa época aconteceu o que alguns consideram um “triunfar do acaso e de inteligente observação”, que impulsionou fortemente o estudo da homeopatia. Hahnemann possuía uma pequena carroça, com a qual percorria o interior do país para tratar a população. Ele começou a observar que os pacientes que moravam mais distantes eram mais eficaz e rapidamente curados, e associou isto ao movimento que a carroça fazia ao passar pelos buracos da estrada. Passou, então, a sacudir os medicamentos (dinamizar) e basear o preparo destes em dois preceitos: diluição e dinamização. A partir desse momento, os resultados obtidos foram muito positivos, e a Medicina Homeopática começou a se difundir e a ganhar popularidade. (CORREA, SIQUEIRA-BATISTA, & QUINTAS, 1997, pp. 347-351)

A diluição homeopática também é pautada em um princípio, na “lei dos infinitesimais”. Claro que “lei” nesse contexto é mera conjunção semântica, pois novamente não possui evidência científica que sustente sua existência como tal. Na concepção daqueles que creem, funciona da seguinte forma, quanto mais diluída for uma substância, mais forte ela se torna.

Isso mesmo, quanto mais diluída for uma substância, mais forte ela se torna.
Esse pressuposto da homeopatia viola uma premissa da química, que diz existir um limite para diluição, e passando desse limite, ao contrário do que pensam os homeopatas, a substância se perde por completo [2].

Esse limite é conhecido como Constante de Avogadro (6.022 x 10²³), e na homeopatia existem medicamentos que extrapolam essa constante, por exemplo, os medicamentos de diluição acima de 12C. O Doutor em medicina, psiquiatra e cofundador do Conselho Nacional de Combate à Fraude na Saúde (NCAHF) Stephen Joel Barrett [3], alerta que é fisicamente impossível a diluição de certos medicamentos homeopáticos.

Uma diluição de 30X significa que a substância original foi diluída um decilhão de vezes. Supondo que um centímetro cúbico contém 15 gotas, este número é maior do que o número de gotas de água que preencheriam um recipiente mais de 50 vezes o tamanho da terra e uma solução de 30C exigiria um recipiente com mais de 30 bilhões de vezes o tamanho da Terra. Para fins práticos, isso significa que as soluções “30X” e “30C” não existem, porque não é possível criar uma solução na qual uma molécula de uma substância original seja dissolvida em um recipiente de água maior que a Terra. (BARRETT, 2002)

Dizer que quanto mais uma substância é diluída mais forte ela fica contradiz a própria premissa da diluição, como diz o artigo da Revista da Associação Médica Brasileira citado acima: “Como algumas plantas e substâncias eram tóxicas, algumas vezes ocorrem efeitos adversos importantes. Hahnemann decidiu, pois, diluir os medicamentos ao máximo, de maneira que sua toxicidade fosse diminuída.” (CORREA, SIQUEIRA-BATISTA, & QUINTAS, 1997). Assim sendo, não faz sentido que algumas substâncias fiquem mais fortes enquanto outras simplesmente desapareçam pelo simples método de diluição e de dinamização.

Houve uma época em que alguns cientistas defendiam que a diluição homeopática era plausível devido à “memória da água”. Esses acreditavam que a água possuía a capacidade de preservar certas substâncias devido a sua capacidade de memorizar. Em 1988, o cientista Dr. Jacques Benveniste (1935-2004) alegou poder provar esse princípio. Benveniste fez um acordo com o editor-chefe da revista “Nature”, que publicou o artigo “provando a memória da água”, sob a condição de Benveniste abrir o seu laboratório e demostrar o experimento realizado por ele na frente de alguns especialistas em fraude científica. O artigo foi publicado e homeopatas de todo mundo comemoraram a grande descoberta científica. Muitos apostaram que isso poderia fazer com que Benveniste ganhasse o Prêmio Nobel, mas pasmem, no experimento haviam vários erros metodológicos e a equipe do laboratório de Benveniste não conseguiu repetir o estudo na presença da Banca de especialistas em fraude científica formada pelo editor chefe da revista John Maddox, Walter Stewart, e o mágico norte-americano James Randi [4]. No lugar do Prêmio Nobel, Benveniste recebeu dois Ig Nobel Prize (uma paródia do Prêmio Nobel) e perdeu todo o seu financiamento em pesquisas.

Em virtude dessa série de contradições e inspirados na constante de Avogadro 10²³, a Merseyside Skeptics Society organizou uma série de protestos com objetivo de questionar a eficácia da homeopatia. Esses protestos são chamados de “Desafio 10²³” e acontecem em quase todo mundo, nele pessoas se organizam em grandes grupos e ingerem quantidades excessivas de medicamentos homeopáticos a exemplo de soníferos, é uma espécie de “overdose coletiva”, mas como os participantes sabem que acima da diluição 10²³ só existe água, até hoje nunca ninguém precisou ser levado para a emergência [5]. O mágico James Randi, especialista em fraudes citado acima, além de participar do “Desafio 10²³”, prometeu pagar 1 milhão de dólares para qualquer homeopata que conseguisse diferenciar uma diluição homeopática de água pura.

Testes clínicos e o efeito placebo.
Para chegarmos a segunda parte da nossa crítica, é necessário um conhecimento básico sobre testes clínicos e efeito placebo. Um comprimido de placebo é um comprimido inócuo, com o objetivo de simular um remédio real, mas sua composição pode ser farinha, açúcar ou outra substância sem valor medicamentoso.

Exemplo: Marcos, sofre de insônia e decide ir em busca de ajuda médica, o médico o avalia e, ao invés de receitar um comprimido com substâncias que combatem a insônia, entrega um placebo para Marcos, dizendo que é um remédio espetacular que o fará dormir em segundos. Marcos vai para casa e, por acreditar no médico, toma o placebo pensando ser de fato um remédio; minutos depois de ingeri-lo, Marcos começa a dormir.

A confiança no médico, a forma que ele fala do medicamento, cor da pílula, valor e até mesmo o logotipo são fatores que influenciam este efeito, mas claro, isso não funciona em todos os casos, porém o efeito é real e amplamente estudado e explorado.

Agora alguns podem se fazer a seguinte pergunta: se um medicamento sem nenhum composto medicamentoso é capaz de curar alguns casos apenas pelo seu efeito placebo, efeito esse que é produzido pela crença do próprio paciente, como saberemos se um medicamento tem de fato efeito curativo?

Essa pergunta é extremamente relevante, e para chegar a uma conclusão científica sobre a eficácia de um medicamento é preciso fazer um teste clínico duplo-cego randomizado. Apesar do nome assustador, é bem simples. Primeiramente escolhemos um grupo de estudo com mais ou menos 100 pessoas, de forma aleatória, depois dividimos essas pessoas em dois grupos (A e B). No Grupo A aplicamos placebo e no Grupo B aplicamos o medicamento que será testado. É importante que nem o pesquisador e nem os grupos saibam quem está recebendo placebo ou medicamento (por isso duplo-cego). O pesquisador deve apenas anotar o número do medicamento que está sendo ministrado para futuramente avaliar os resultados. Se o grupo que utilizou o medicamento obteve uma melhora de 80% e o grupo do placebo apenas 20%, isso mostra que o medicamento testado tem uma capacidade de cura superior ao placebo.

Se o experimento foi realizado corretamente, outras pessoas podem fazer o mesmo teste e chegar a um resultado próximo ao nosso.

Esses testes são uma dor de cabeça para a indústria farmacêutica, pois muitas pesquisas que demoram anos sendo estudadas e com um investimento maior que US$ 1 bilhão são reprovadas, sem dó nem piedade [6].

A Homeopatia e os testes clínicos
O Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da Austrália (NHMRC) [7], com objetivo de garantir um tratamento seguro e baseado em evidências, decidiu examinar a homeopatia por meio de um amplo conselho formado com diversos cientistas. Ao todo foram 57 revisões, contendo 176 estudos individuais que testam a homeopatia em 68 condições de saúde diferentes. O artigo foi publicado em 2015 e recebeu o nome de Evidence on the effectiveness of homeopathy for treating health conditions [8]. O cientista responsável pela revisão foi o Professor Honorário nas Universidades de Oxford e Sydney, Paul Glasziou, um dos principais especialistas em medicina baseada em evidências. Os resultados foram que a homeopatia não conseguiu superar o efeito placebo.

Chamamos a homeopatia e outras de “medicina alternativa” justamente porque a mesma nunca conseguiu provar os seus efeitos de forma conclusiva. Esses testes são análogos ao diploma de medicina de um médico; da mesma forma que você não confia sua saúde a uma pessoa que não foi graduada em medicina, não faz sentido se submeter a um medicamento que não tenha passado pelos testes clínicos.

A aplicação da medicina alternativa é perigosa para a saúde de pessoas que não conseguem distinguir a ciência da pseudociência. Muitos negam o tratamento ortodoxo para se tratar por meio da medicina alternativa e acabam morrendo. Essas pessoas simplesmente têm fé no tratamento e por definição essa não precisa ser pautada em evidência. O próprio Steve Jobs, cofundador da Apple, insistiu em tratar o seu câncer no pâncreas com medicina alternativa e quando optou pela cirurgia já era tarde demais. Na opinião do Doutor em medicina de Harvard, PhD e cientista principal do Grupo Geral de Pesquisas sobre o Câncer Colorretal do Hospital Geral de Massachusetts, Ramzi Amri, Steve Jobs poderia estar vivo se tivesse utilizado a medicina tradicional [9].

Países que se preocupam com o dinheiro do contribuinte e com a saúde dos mesmos já estão tomando providencias para combater a medicina alternativa. Em julho de 2017 a NHS (Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra) retirou e proibiu o investimento de dinheiro público destinado a homeopatia [10]. Segundo a organização, “(…) na melhor das hipóteses, a homeopatia é um placebo e um mau uso dos escassos fundos do NHS, que podem ser melhor devotados aos tratamentos que funcionam”. No mesmo mês, o prefeito de São Paulo (Brasil), João Doria, do PSDB, sancionou uma lei com o objetivo de ampliar o atendimento homeopático na cidade [11].

O efeito placebo e os animais.
Um argumento muito utilizado pelos defensores da medicina alternativa é que, segundo eles, ela trata animais e os animais seriam imunes ao efeito placebo, logo ela funciona.

Essa afirmativa contém duas falhas, a 1ª é que ela é uma falácia, conhecida como evidência anedótica, que é diferente de uma evidência científica, pois enquanto a segunda pode ser testada por meio do método científico, a primeira, devido a sua informalidade, baseia-se apenas na palavra do interlocutor. Evidências desse tipo geralmente são contaminadas por uma falha cognitiva chamada de viés de confirmação, esse viés faz com que o interlocutor confirme determinados resultados dependendo de suas crenças a priori, mas voltaremos a esse tema mais à frente.
A 2ª falha está relacionada com a afirmação de que animais são imunes ao efeito placebo. Essa sentença pode ser um pouco apressada, mas não vou nem confirmar, nem negar tal proposição, apresentarei apenas novas ideias sobre essa afirmativa, com objetivo de nos fazer questionar a sentença como um todo.

Segundo um estudo publicado no Journal of Veterinary Internal Medicine em 2010 [12], o efeito placebo funcionou em cães; o objetivo era ver como cães epiléticos reagiriam ao efeito placebo:

Vinte e dois (22) dos 28 cães (79%) que receberam placebo demonstraram uma diminuição da frequência de convulsões em comparação com a linha de base, e 8 (29%) teriam apresentado uma redução de 50% das convulsões, mas claro, isso não é prova que o efeito placebo funciona em animais, precisamos ter calma e ceticismo até diante de estudos científicos. Umas das autoras deste estudo, Karen Muñana, neurologista da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, em reportagem da BBC [13], apontou 2 pontos importantes que devemos tomar cuidado ao analisarmos testes científicos com animais:

1 – A doença muda naturalmente ao longo do tempo:
Em muitos casos, os animais podem se curar sozinhos sem a necessidade de um remédio, o próprio corpo do animal pode vencer a doença, por isso precisamos de testes mais rígidos que demonstrem se a cura foi causada pelo placebo, medicina alternativa, ou nenhuma das alternativas, apenas obra natural. Claro que para um leigo em metodologia, ao se dar o remédio homeopático e dias após o animal aparentemente melhorar é possível criar uma correlação apressada e equivocada entre causa e efeito (post hoc ergo propter hoc) [14].

2 – O efeito placebo no tutor (dono):
Apenas o efeito de saber que seu cão está participando de um teste pode mudar a percepção do tutor em relação ao animal, dessa forma quem está sendo atingido pelo efeito placebo é o tutor por meio do viés de confirmação. Veja o que ocorreu com o estudo da pesquisadora veterinária especializada em nutrição e dietética na Universidade Ludwig Maximilians de Munique, Ellen Kienzle. Ellen fez o seguinte estudo que foi publicado no The Journal of Nutrition em 2005; ela modificou a alimentação de três grupos de cavalos para testar um suplemento que visava aumentar a força dos cavalos [15].

Dos 6 cavalos que não terminaram o estudo, 3 foram retirados porque se tornaram muito fortes. Um deles estava no grupo do placebo, os outros 2 eram montados pela mesma pessoa. A questão óbvia é se os cavaleiros imaginaram mudanças no comportamento de seus cavalos ou se o comportamento dos cavalos era realmente diferente após a ingestão dos suplementos ou do placebo. (KIENZLE, FREISMUTH, & REUSCH, 2006)

Esses conflitos demonstram muito bem a dificuldade de dizer com certeza se o animal respondeu ao placebo ou se o efeito foi aplicado apenas na percepção do tutor. Se isso é difícil para quem faz testes clínicos, imagina para o tutor de um pet que está esperançoso pela melhora do animal.

A ciência ocidental não é capaz de entender a complexidade da homeopatia.
Bertrand Russell (1872-1970) explica em seu artigo “A Filosofia entre a Religião e a Ciência” que, diante de não conseguir provar determinado dogma, os seguidores deste geralmente são hostis à ciência, já que seus dogmas não podem ser provados empiricamente.

Esse argumento geralmente é o último fôlego do defensor da pseudociência, dado que o mesmo a todo momento tenta obter o carimbo da ciência em seus métodos, e ao não conseguir se volta contra ela. Essas pessoas querem passar suas ideias por científicas, porque sabem que a ciência tem uma grande credibilidade, entretanto sua credibilidade vem justamente do rigor do seu método.

Outra argumentação é que a ciência muda, e por mudar um dia ela reconhecerá as grandes vantagens da homeopatia. De fato, a ciência muda, pois possui um mecanismo teórico de autocorreção de erros, mas suas mudanças não acontecem por rupturas bruscas de pensamento e sim de forma gradual, sem rejeitar o conhecimento acumulado, e por isso, afirmo sem medo que a homeopatia como está posta hoje nunca terá o aval científico, pois seus pressupostos negam o conhecimento empírico acumulado. Para aceitar a sua veracidade teríamos que negar a química básica, a medicina moderna e outras áreas do conhecimento.

Outros argumentam ainda que a homeopatia não consegue passar em ensaios duplo-cego randomizado porque os seus tratamentos são individualizados, logo um medicamento não serve para todas as pessoas pois as pessoas não são iguais e a homeopatia não trata a doença e sim a pessoa como um todo. Uma coisa temos que admitir, é impressionante a capacidade de se esquivar que a homeopatia tem, mas como lembra muito bem a Doutora em medicina Harriet Hall [16] em seu artigo para a revista Skeptical Inquirer em 2014:

Os homeopatas poderiam individualizar suas prescrições como de costume, os remédios poderiam ser randomizados e codificados por um segundo partido, e eles poderiam ser dispensados por um terceiro cego que não saberia se o que estava entregando era o que o homeopata ordenou ou um substituto (placebo). Os homeopatas envolvidos na concepção de estudos de homeopatia escolheram claramente não fazer testes desta forma. (HALL, 2014)

E para quem ainda insiste em defender a homeopatia, só me resta deixar uma pergunta inspirada na analogia do “dragão na garagem” [17] publicada em “O mundo assombrado pelos demônios” de Carl Sagan (1934-1996).

Qual a diferença de um medicamento que, segundo você, funciona, mas não é capaz de passar em um teste clínico, que desafia pressupostos da química, que não apresenta evidencias testáveis, que não se encaixa no realismo científico, e um medicamento que de fato não funciona?

Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. (SAGAN, 2006, p. 199)

O que você me pede é que, diante da ausência de evidência que sustentem sua previsão, eu aceite sua palavra.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] Corrêa, A., Siqueira-Batista, R. and Quintas, L.
Corrêa, A., Siqueira-Batista, R. and Quintas, L. (1997). Similia Similibus Curentur: notação histórica da medicina homeopática. Revista da Associação Médica Brasileira, 43(4).
[2] Constante de Avogadro
Pt.wikipedia.org. (2017). Constante de Avogadro. [online] Disponível em: https://goo.gl/qoJmrb [Acessado em 27 de julho, 2017.].
[3] da Homeopatia “lei dos infinitesimais”
Homeowatch.org. (2017). Homeopatia da “lei dos infinitesimais”. [online] Disponível em: https://goo.gl/jevFqH [Acessado em 27 de julho de 2017.].
[4] BBC – Ciência e Natureza – Horizon – Homeopatia: O Teste
bbc.co.uk. (2017). BBC – Ciência e Natureza – Horizon – Homeopatia: o teste. [online] Disponível em: http://bbc.in/2uScZZC [Acessado em 27 julho, 2017.].
[5] Campanha 10:23
Pt.wikipedia.org. (2017). Campanha 10:23. [online] Available at: https://goo.gl/Exeu6h [Accessed 27 Jul. 2017].
[6] Por que placebos estão fazendo mais efeito em pesquisas? – BBC Brasil
BBC Brasil. (2017). Por que placebos estão fazendo mais efeito em pesquisas? – BBC Brasil. [online] Available at: https://goo.gl/3zq5q9 [Accessed 27 Jul. 2017].
[7] Fenton, S.
Fenton, S. (2016). Homeopatia oficialmente não funciona. [online] The Independent. Disponível em: https://goo.gl/xeBptA [Acedido julho 27, 2017].
[8] NHMRC projecto de documento de Informação: Evidências sobre a eficácia da homeopatia para o tratamento de condições de saúde | Consultas NHMRC públicos
Consultations.nhmrc.gov.au. (2017). NHMRC projecto de documento de Informação: Evidências sobre a eficácia da homeopatia para o tratamento de condições de saúde | Consultas NHMRC públicos. [online] Disponível em: https://goo.gl/Lo9UKz [Acessado em 27 julho de 2017.].
[9] Steve Jobs condenado a si mesmo por omitir a medicina convencional até muito tarde, afirma especialista Harvard
Mail Online. (2011). Steve Jobs condenado a si mesmo por omitir a medicina convencional até muito tarde, afirma especialista de Harvard. [online] Disponível em: https://goo.gl/NYOzT [. Acessado em 27 de julho, 2017] .
[10] Laura Donnelly
Laura Donnelly (2017). NHS para proibir a homeopatia e fitoterapia, como ‘mau uso dos recursos’. [online] The Telegraph. Disponível em: https://goo.gl/jevFqH [Acessado em 27 de julho de 2017.].
[11] Doria sanciona lei que vai ampliar atendimento homeopático em São Paulo
PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira. (2017). Doria sanciona lei que vai ampliar atendimento homeopático em São Paulo. [online] Available at: https://goo.gl/fhizEk [Accessed 27 Jul. 2017].
[12] Efeito Placebo em Canino epilepsia Ensaios
Muñana, K., Zhang, D. e Patterson, E. (2010). Efeito placebo nos Ensaios Canino epilepsia. Journal of Veterinary Internal Medicine, 24 (1), pp.166-170.
[13] Henriques, M.
Henriques, M. (2017). Como a mente de um cão pode ser facilmente controlada. [online] Bbc.com. Disponível em: https://goo.gl/jevFqH [Acessado em 27 de julho de 2017.].
[14] Falácias causais
Criticanarede.com. (2017). Falácias causais. [online] Available at: https://goo.gl/CsydQW [Accessed 27 Jul. 2017].
[15] Kienzle, E., Freismuth, A. e Reusch, A.
Kienzle, E., Freismuth, A. e Reusch, A. (2006). Duplo-cego controlado por placebo de vitamina E ou selênio suplementação de Esporte Cavalos com problemas musculares não especificados. Um exemplo do potencial de placebos. The Journal of Nutrition, [em linha] 136 (7), pp.2045S-2047S. Disponível em: https://goo.gl/4QsYWq [Acessado em 27 de julho de 2017.].
[16] Uma Introdução à Homeopatia – CSI
Csicop.org. (2016). Uma Introdução à Homeopatia – CSI. [online] Disponível em: https://goo.gl/CKysKD [Acessado em 27 jul 2017.].
[17] O Mundo Assombrado pelos Demônios
SAGAN, C. (2006). O Mundo Assombrado pelos Demônios. (R. Eichemberg, Trad.) São Paulo: Companhia de Bolso. 

Perfil do Autor

Gabriel Filipe
Professor de filosofia, jornalista, radialista, poeta, membro fundador da Academia Aracruzense de Letras (ACAL) e fundador do projeto Pense, é grátis. E-mail: [email protected]

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